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O Banco Central começa a testar a partir hoje
a fase II do sistema Bacen Jud 2.0, que permite aos juízes bloquear
valores depositados no sistema financeiro. Na fase II, disponível
a todo o Judiciário apenas a partir do dia 17 de março,
começam a operar novas funções que devem melhorar
o funcionamento do sistema para devedores e credores. A ferramenta mais
esperada é a consulta on-line dos saldos das contas correntes,
o que deve evitar o bloqueio indevido de contas, uma das principais críticas
dos advogados ao Bacen Jud. Também haverá recursos úteis
aos credores, como acesso a endereços comerciais e residenciais
declarados aos bancos, considerados mais atualizados, e o envio das ordens
eletrônicas também aos bancos de investimento e múltiplos.
Prevista para hoje, a estréia da fase II foi adiada pelo BC para
permitir testes e localizar falhas, liberando o acesso a apenas 20 juízes
neste meio-tempo. As novas ferramentas disponíveis incluem também
a consulta on-line à movimentação recente das contas
e a transferência eletrônica dos valores já bloqueados.
O plano do Banco Central inclui desativar o Bacen Jud 1.0, que tem uma
movimentação apenas residual. Dos 2,7 milhões de
acessos ao Bacen Jud em 2007, apenas 80 mil foram pelo 1.0. Já
os bloqueios feitos pelo 1.0 só poderão ser desfeitos por
envio de ofício em papel, pois ele não é compatível
com o 2.0.
A consulta de saldos e extratos pelos juízes gera apreensão
entre advogados pelo risco de quebra do sigilo bancário dos clientes
nas ações de cobrança. Mas o Banco Central informa
que o sistema permite que o juiz consulte o valor dos depósitos
até determinado teto - equivalente à execução
- o que evita a abertura de todos os dados do correntista. De acordo com
o sócio de contencioso do Machado, Meyer, Sendacz e Ópice,
Domingos Refinetti, o juiz deve restringir-se ao pedido feito pela parte,
assim, não interessa a ele saber se o correntista tem, por exemplo,
R$ 8 milhões se a ação de cobrança é
de R$ 8 mil. Também não cabe a ele saber o histórico
de movimentações do devedor, para por exemplo localizar
um esvaziamento de patrimônio, já que o objetivo da consulta
é apenas saber se há ou não dinheiro disponível
para garantir o débito.
O desbloqueio on-line já existia no Bacen Jud 1.0, de 2001, e o
Bacen Jud 2.0, lançado no fim de 2006, apenas permitiu a comunicação
imediata da liberação da conta ao juiz. O problema, diz
Domingos Refinetti, não era exatamente tecnológico: uma
vez bloqueada uma conta, nem sempre o juiz aceitava desbloqueá-la
sem relutância. A vantagem da consulta prévia será
evitar a necessidade de pedidos de desbloqueio.
A consulta ao endereço dos correntistas dos bancos é vista
por alguns advogados como a informação mais atualizada possível
sobre o paradeiro de um devedor desaparecido. Com sua disponibilidade,
será mais fácil encontrar as partes para citação,
sem o que a execução de uma sentença não pode
começar. Mas a sócia da Carvalho e Advogados,
Eunice Novaes, diz que o recurso é mais útil
apenas para encontrar pessoas físicas, já que uma empresa
não desaparece tão facilmente. A inclusão de outras
instituições, como os bancos de investimento e múltiplos,
deverá ajudar apenas para restringir o destino de eventuais fugas
de recursos.
O Banco Central também estuda uma "fase III" do Bacen
Jud 2.0, que incluirá a penhora on-line de ativos em cooperativas
de créditos, corretoras de ações e distribuidoras
de títulos. A mudança deve demorar algum tempo, pois depende
da integração do Bacen Jud ao Cadastro de Clientes do Sistema
Financeiro Nacional (CCS), um banco de dados de todas as contas e ativos
registradas no sistema financeiro. A integração permitirá
desafogar o tráfego de informações, pois hoje o BC
precisa comunicar a todas as instituições financeiras cada
ordem emitida pelos juízes. Com a integração, a ordem
irá apenas àqueles bancos em que o devedor tem algum registro.
O BC recebe 15 mil ordens por dia, enviadas para cerca de 150 instituições.
Mas há 1,6 mil cooperativas de crédito e centenas de corretoras
e distribuidoras.
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